AMOR

«Enquanto o espaço existir

E os seres vivos resistirem,

Que também eu possa permanecer,

Para varrer a infelicidade do mundo.»

 

Shantideva, mestre budista (n.séc. VII, Índia)

PORTVGAL

PORTVGAL:

UNIR, AMAR, ORGANIZAR

EDUCAÇÃO

Será pela actividade educativa que cuidaremos de (re)conhecer e aceitar formas de estar autónomas mais pacíficas e evoluídas que as desenvolvidas há milhares de anos. Pois, ao aceitarmos o conceito de evolução das comunidades humanas, aceitamos a necessidade de transformação das mesmas. Essa transformação não ocorre em virtude de manifestarmos desejo e ilusão de prolongar as práticas de nossa consequente natureza residual, as quais se revelam inconsequentes para o colectivo humano. Ocorre pela educação, a qual aplicada instrutivamente dilui as construções «manientas» («manias») da nossa vivência e pensar. Ocorre, assim, porque a educação consigna o saber Ser e respeitar; consigna um arco bastante abrangente de encadeamentos e correspondências sustentados na observação, consciência, simplicidade, permuta, permissão, carinho e amor. Ou seja: na construção da felicidade, verdadeiro caminho e fim.

Para atingirmos esse «Caminho-fim», é preciso divulgar os passos da próxima etapa educativa, entre os nossos jovens e restante comunidade. É preciso, aproveitar este tempo entre um passado pesado que cessa e um futuro nascente que há-de estar; é preciso transformar o paradigma educativo e ensinar para colher e educar para alcançar a almejada Idade do Espírito Santo.

Precisamos de instruir-nos a acreditar que somos semelhantes ao Céu, pois nossa condição aqui no chão é relativa. Precisamos de nos libertar de milhares de anos obsoletos à nossa condição evolutiva-colectiva. Temos de ensinar os humanos a eliminar ilusões e desejos, a aprender a retirar do planeta o necessário. Ensinar aos jovens práticas de entreajuda eliminadoras da dor e sofrimento, pobreza e tristeza; ensinar recursos de vida que estimulem saber e autonomia e eliminem dependências ilusórias; temos de ensinar na teoria e prática modelos de alimentação e estar simples e saudáveis, formas de existir em felicidade pela respiração, exercício meditativo, contemplação, alimentação frugal e directa da natureza (frutos, sementes, caules, tubérculos, agro-ecologia); temos de ensinar a pratica de vida solidária sob abrigo ou tecto, e a vida em qualquer espaço da terra (árvore, gruta, deserto, campo,…). Assim, responderemos às exigências que este tempo intermédio nos coloca, utilizando nossa inteligência de forma educada e instruída para eliminar aversões, subjugações, dor, sofrimentos, riqueza-e-pobreza, fartura-e-fome. Para eliminar incertezas (e certezas) como: habitação, trabalho, médico,transporte, dinheiro, etc. A educação para a consciência e compreensão levar-nos-à a superar tudo isso.

E esta nova educação, não sistema, política ou escola, diluir-se-á no «seu fim» ao trazer permanência e coabitação a todos os seres da eco-esfera terrestre. Porque todos se encadearão nestas práticas sabendo Ser e respeitar, vivendo na ausência de qualquer paradigma educativo, mas sim na prática continua e activa do Espírito como energia colectiva bem-fazeja. Sabendo, pela consciência e prática, que nossa natureza está em tudo, como o Todo, uma vez assumida a educação, como prática da existência.

Então a Terra estará «bêbada de bem-aventurança». Aleluia!

Agostinho da Silva

«Se fosse possível explicar-te tudo não precisarias de perceber nada.»

Agostinho da Silva, adepto do Vº Império

COMUNICAR

As pessoas se perguntam, negando-se, o que podemos fazer?

Seguidamente auto-respondem-se: nada, não podemos fazer nada…….

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Se não podemos fazer nada, se nos sentimos tão frágeis e impotentes, devemos:

1º Ter consciência de que muitas coisas da nossa vida sócio-colectiva estão mal, repercutindo-se na nossa vida pessoal e familiar.

Subsistindo a ideia de que não podemos fazer nada, devemos:

2º Falar com os nossos semelhantes portugueses (e com outros) sobre o que está mal.

E, as dúvidas semearão objectivos e certezas.

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(Com certeza, rumo a uma existência mais amiga, repartida, bondosa, pacífica e amorosa, no

respeito pela vida e planeta)

PORTVGAL, 25 de Abril / Era de Aquário

SAUDADES DO FUTURO

(Aos leitores, as minhas desculpas por este pequeno interregno, dando a sensação de ter parado com a produção de textos.)

Para os povos cuja Pátria é a Língua Portuguesa a palavra Saudade é um traço cultural de identidade.

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O título deste texto será uma das expressões mais enigmáticas da cultura ideológica portuguesa, incorporando em si memória de tempo a vir. A experiência presente, já nos diz alguma coisa: nos momentos que vivemos irradiamos alegria pelo presente-futuro do Brasil, do qual alimentámos durante anos e anos saudade de que assim fosse e memória de que seria.

E mais além, mais à frente, o que seremos neste eixo atlântico? Nada! Como expressão campestre antiga, de pastoreio, em que terra designada de «Nada» era terra garantida de alimento.

Nossa referência é obrigatoriamente os dias que passam, e o fim de algo, deslocando e acentuando nossas possibilidades de vivência para um não-modelo, para um não-governo, para um não-sistema, de forma tão apurada e lisa na entreajuda pela pemanência-passageira nesta terra que o não, significa saudade futura da negação do modelo, governo e sistemas presentes e garantia contrária na diferença de modo e de estar, na ideia e substância prática do ser. Esperamos, enquanto nossas consciências constroem essa igualdade-fraterna e não política, enquanto nossos corações-bondade semeiam essa felicidade comum de um não-sistema, em que portugueses e brasileiros abraçando as multidiversas experiências culturais de seus mundos lusófonos ao mundo hão-de apresentar e estender por experiência de seu(s) povo(s) esse momento.

Seremos então projectados para o passado primordial. Seremos seres viventes livres: não haverá lobos, mas matilhas; não haverá abelhas mas enxames; não haverá abutres mas bandos de aves; tudo continuará por direito de permanência de Vida e partilha neste planeta. Os humanos-homens de hoje aceitarão, pacificamente, surpreendidos serem por animais que se lhe aconchegam ao convívio. Aquele que tiver a infelicidade de (ainda) ser tocado por algum mal, não estará só, pois um halo de consciência à sua volta o fará sorrir luminosamente. As crianças serão auto-suficientes em seu Ser, pois suas alegrias e convívios por este mundo fora, deixam-nos ver rodas de meninos-imperador em torno de homens-meditativos respirando prana/maná com crianças recheadas de profunda admiração, vontade e ensinamento.

No momento intermédio ou de passagem são lançadas pelo povo as sementes-pensamento dessa filosofia-ideologia da saudade futura, as quais germinarão em práticas, funcionalidades e técnicas que nossas actuais sociedades farão questão de colocar ao serviço de todos os viventes, sem exploração, sem mais-valia, sem dor, sem pobreza, sem escravatura … E, ao mesmo tempo que a administração dos territórios pátrios lusos opta por partilhar-dar a suas gentes essas práticas, funcionalidades e técnicas evoluídas e limpas, um trabalho profundo de educação, ensinamento, respeito e partilha de presença é desenvolvido pelas colectividades humanas, transitando para a o tempo do Império do Espírito Santo, no qual se projecta a saudade lusitana.

Nesse tempo, algazarras constantes são ouvidas, quais explosões de alegria, movimentos risonhos de adultos e crianças, correndo para os rios de Portugal, para seu mar salgado: um ser-baleia aproximou-se da costa; um ser-tartaruga entrou no Tejo; um grande ser-voador invade territórios próximos e toda a gente acorre a felicitar e acarinhar esta e todas as outras formas de vida , num entendimento recíproco, fazendo esquecer tempos antigos de guerras e violências. Até, parece, que alguns miúdos, atravessam o Atlântico em tartarugas e golfinhos, alimentando-se de algas de um mar-oceano limpo e não poluído.

Para os seres humanos estes contactos são normais. Pois desde o período de transição de kalyuga para a nova idade, que de forma livre os humanos experienciam e até repartem diferentes habitats, mundo fora. Na realidade para essa massa humana só existe um tempo, infinito e sempre presente, em que a matéria se funde no todo e as sensações foram abandonadas e com elas o tempo-horário, a obrigação-trabalho, a exigência-de-existir, e tudo se toca harmonizado pelo Criador, aquele que aboliu a noite dos tempos e deixou fluir vida na Terra.

Circulam pelo planeta homens, mulheres, crianças, dando preferência à deslocação pedestre destinada a lugares cujo remoto passado, ensinou a seus antepassados de antanho a Fé. Até alcançarem esses lugares, são bem vindos onde quer que se aproximem; é um corrupio saudável: uns ficam, outros visitam amigos e desconhecidos, povos próximos e distantes, outros ficam e incorporam práticas religiosas e meditativas das mais diferentes partes do planeta. Este saudável corrupio faz o planeta transpirar para o Universo um bafo de felicidade e amor, diferente dos sons da metralha, dos gemidos de dor e tortura, do grito tolhido pela violência e maldade, da dor das mães-mulher e de seus filhos…. No silêncio, a nossa Terra emite tranquilidade e equilíbrio: não há mãe a sofrer, criança com fome, adulto desesperado, governante roubando, menino de rua, mulher objecto ….O passado não existe, nem a sua história; lembranças também não. Registos cársicos residuais, algures no extenso universo, são eliminados por um convívio salutar de compreensão, troca e entreajuda à escala planetária e uma poderosa ideologia meditativa e amigável. Não há línguas, só linguagens para o entendimento, onde cabe a língua de cada um. Acabaram as metas do trabalho, do deve e haver, da acumulação de riqueza, honrarias e títulos. Sem saudade do passado e do futuro, os povos despertaram e aceitaram viver em comunidade.

A vida será tão livre, nesse «futuro português», do qual temos saudades, que não existem gaiolas e as crianças atravessam oceanos encimadas em tartarugas, crocodilos, baleias e golfinhos. Alimentam-se de algas em seus dorsos carregando o plexo solar  nos mares salgados onde jazem marinheiros de Portvgal. Nesse (não-)tempo todas as creatruras se aconchegam ao próximo. Polvilhando o antigo país-Portugal, o povo, centelhas humanas animadas por uma não-existência que todo o mundo partilha na nova era do Espírito Santo, exemplifica na prática formas de existir e viver que os povos de toda terra desejam e partilham no futuro-próximo que nossas consciências, actos e Bondade criam.  

«Louvado seja o Senhor».

Partidocracia

«A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.»

(Mia Couto)

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«O mágico fez um gesto e desapareceu a fome, fez outro e desapareceu a injustiça, fez um terceiro e desapareceram as guerras.
O político fez um gesto e desapareceu o mágico.
»

(Woody Allen)

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BRASIL / Vº IMPÉRIO

Num debate, numa universidade americana, o  senador brasileiro Cristóvão Buarque, foi questionado por um estudante, sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia.

(O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.)

Eis a resposta:

«De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Museu do Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.·
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Defendo a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa! »

 (Retirado da Net, 2012)

COSMOGONIA

Remontando à «noite dos tempos», às origens profundas da Terra, da qual terá surgido qual fragmento de antigo espaço (1)sideral destruído, a que Deus apôs um (2)Sol garantindo milhões de anos LUZ para todos os ocupantes planetários, seres e formas de vida em proximidade, relatamos: Em sua formação, o espaço ocupado pelo nosso planeta se viu cruzado e ocupado por corpos celestes, gases, nuvens, raios e turbulências várias. Formado o embrião terreno, em seu ponto futuro, os envolvimentos próprios do território espacial-cósmico continuaram sobre formas diferentes de água, terra, fogos, ar, éter, ferro, etc. . Deus vendo a Terra envolvida por diferentes elementos, no momento em que as águas de seu dilúvio cobriam a esfera planetária, (3)lançou aos mares búzios onde se abrigaram as ainda incipientes formas de vida. E aí permaneceram, aí sobreviveram a gigantescas ondas, tempestades e dilúvios galácticos. As águas tomaram seus territórios e as terras se faziam emergentes. Mas, o acto creador inter-galáctico continuou, eliminando um mundo negro e obscuro. Soavam por todo o sistema sideral ruídos, ribombos, regurgitações, roncos ecoados dos elementos que destruíam e creavam, que se autodestruíam e geravam, que se eclipsavam e ressurgiam. Então Deus, atento à Obra, colocando-se na escala planetária que ora se formava, (4)decidiu povoar a terra de luminescentes seres, que brilhavam na superfície terrestre, ultrapassando as manifestações ruidosas do universo com essa sua qualidade: lá de cima Ele percebia a morfologia que o planeta tomava. Noutra fase, a Terra se achava envolvida em nuvens espaciais, e nela moviam-se montanhas, rebentavam fogos vulcânicos, corriam rios de bruma. Toda a esfera terrestre estava embrulhada em poeiras cósmicas. Para saber onde chegava a terra e começava o mar, Deus (5)povoou as extremas terrenas de pequenos animais cantantes que rompiam a bruma com seu gri-gri.  Da terra nasceram plantas, árvores, bosques e flores e Deus (6)coloriu o espaço com mariposas e aves, sobrevoantes do planeta, como pontinhos maravilhosos, mapeando esse imenso acto creador, aqui em baixo, com seus pântanos, lagos, bosques, pradarias, … Quando a Terra, se apresentava como planeta vivente, eis que do vácuo cósmico surge novo elemento: o vento. O planeta parecia enfurecido. Todos os seres se recolheram, e o silêncio se fez. Então no seu sétimo acto Deus coloca-lhe o Homem, «sua imagem e semelhança», para que a todos os seres e formas de vida pudesse observar, amar e ajudar, fazendo disso compreensão e elevação evolutiva; reúne todos os seres em seu novo Jardim e faz saber que nele podem evoluir, com uma condição: não matar. Desde então viajaram até esta Terra durante milhões de eras, diferentes formas de vida espacial que aqui encontraram condições de permanência, evolução e convívio. Todas elas são constituídas por partículas e elementos cósmicos que lhes conferiram formas de estar, representar e observar adaptadas à vida terrena; que lhes permitiram formas de inteligência e de decifrar, dimensionadas aos planos terreno e cósmico, sobrevivendo nas águas, montes e florestas sem medos e violência, até ao dia em que o Homem definiu o sitio onde estava como sua pertença assim como todas as formas de vida nele presente : e caçou; e matou; e cobrou aos seus pela partilha do que caçou e matou!

 

Indígena

Em 1854, “O Grande Chefe Branco” em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma “reserva” para os índios. Foi a seguinte a resposta do Chefe Seattle,* considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente:

«Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? / Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los? /Somos parte da Terra e ela é parte de nós. /As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. / Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pónei, e o homem, todos pertencem à mesma família./ A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais. / O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai./ Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.  / Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. / Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. / Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. / A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente. / Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. / Ele sequestra a Terra de seus filhos, e não se importa. / Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. / Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.  / Não existe lugar tranquilo nas cidades do homem branco. / Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um insecto. /A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. / E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. / O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros. /O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem,  todos compartilham o mesmo hálito. / O homem branco parece não perceber o ar que respira. / Como um moribundo há dias esperando a morte,  ele é insensível ao mau cheiro. / Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. / Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. / Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava. / O que é o homem sem os animais? /Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito. / Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. /Todas as coisas estão ligadas. / Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos,  que a Terra é nossa mãe. /Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. / Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos. / Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra. /Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. /Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. /O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. /O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo. /A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador. / Não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista as montanhas maduras manchadas por fios que falam.  Onde está o bosque?  Acabou. Onde está a águia?  Acabou.
Eis o  fim dos vivos e o começo da sobrevivência.»

(*) Adapatdo de texto extraído de The Irish Press (1976), in http://rizomas.net/polemicas/81.

 

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